quarta-feira, 4 de abril de 2012

Primeiro horário

Sobre a mesa um copo com resto de café que já fedia, dois livros abertos para apoio à aula "Ctrl c + Ctrl v".
Apertada a calça pela cinta, sobravam dois gomos na barriga, pança vomitada parecia prestes a ejacular tripas nos alunos. Na primeira fila, a gordinha que de tempo em tempo se espremia segurando algum desarranjo. A crente respirava a gordinha, sentia-se pecadora por desfrutar tamanho perversão. Oh, Deus.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ponta Grossa

Adoro o ar princesino. Aqui não preciso cumprimentar ninguém...
No ônibus, nem um 'pio'. Todos com cara de: Paguei R$ 2,40 e vai demorar mais quinze minutos.
Aqui ninguém bate na minha porta se não saio por três dias. É um "acordo" de vizinhos - Se começar a feder é porque morreu!
Um assalto na farmácia, outro no terminal. Ninguém dá a mínima pra feira de filhotes no Parque Ambiental.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Posse do Presidente

Cedo pula da cama e corre até o banheiro. Liga o chuveiro (elétrico) e três ou quatro vezes molha o pé. Sempre no "inverno" é daqueles que sai rosa do banheiro, já pontilhada de suor a testa.
Volte, você, ainda no banho, escova as unhas do pé até doer. Um sabonete para o rosto, outro para o corpo. Se tem pentelho logo sai pelado aos berros!
- Se usarem meu sabonete mais uma vez vou empalar um por um!!!
Pregou um espelho em frente ao outro. Para entre eles, tira metade do pote de gel azul (sem álcool) de uma vez. Prepara, lentamente, os fios que lhe restam e sai (rosa, testa pontilhada, pés em carne viva).
Passa o café na meia. Enche o copo, toma um golé e joga o resto no ralo. Fuma um Camel, dá ânsia, quase vomita na grama, mas fuma.
Enrrola o cinto na mão esquerda e sobe já berrando. São seis, os três meninos dormem no primeiro quarto. Calejados de apanhar, quando o pai sobe já estão vestidos! O problema é uma das meninas, sofre de algum problema de sono. Não acordaria nem sendo a segunda-feira de Hiroshima.
Mais vermelho que no banho, agarra a coitada pelos cabelos e arrasta até a escada.
Posse do Presidente, as crianças com medo até do nome, o locutor capricha no Garrrrrrrrrrrrrrrastazu.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Comichão

Menina boa era a Claudia. Agora me sobra este traste. 21 anos, não trabalha nem estuda. Acorda tarde, igual ao pai. Até me corre um arrepio!
A Claudia não, saía cedo. Fazia meu café e colocava um bilhete na fresta da mesa avisando se voltava pro almoço. Quando sim fazia frango e polenta, ela adorava. Quando não, comia fora ... Me nego fazer comida pro traste!
Lembro como hoje, quinta de tardinha, ligaram avisando que a Claudinha estava morta perto da Catedral.

Dizem que quando perdemos um braço, por um tempo podemos sentir o braço ainda alí, sabe, sinto um comichão no bico do peito quando me vem a Claudia.

Morte

Morta a barata alí, morta.
Morte.
Ninguém sabe onde ir.
Forte, seja forte.
Morto o cadáver alí, morto.
Morte
Hora de partir.
Forte.

A barata

Não posso vê-la, mas escuto. Cedo eu vi, grande e gorda. Não levantei porque fiquei com medo. Passou, um ponto preto no chão ... Rápido procuro os óculos e sento.
Você parou quando te vi, tão com medo quanto eu. Pensei em levantar e você se esconde no vão guarda-roupas/parede.
Sabia que estava no lixo ... Fazia barulho revolvendo os restos. Enquanto escrevo, observo o lixo. Foi então que saiu, corajosa, grande, gorda. Veio cega em minha direção, abri bem as pernas e matei.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Os três cafés

Calculei tudo, daquele dia não passava...
Ela sai de casa sempre tarde, passa pela padaria, come um misto quente e toma três cafés.
Os cafés são como uma vida - O primeiro é lento, lento como descobrir o mundo, lento como saborear as descobertas. O segundo já não demora tanto, não há tempo... Fim do segundo ato, aí chegam os tapas, tapas por todo o corpo. Encontra os cigarros e irritada pede outro café.
O terceiro sou eu.